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A história que você ainda não contou é a única que importa escrever

Tem uma história que você ainda não escreveu. Não porque não saiba escrever. Não porque não tenha tempo. Mas porque essa história específica te dá medo.

Você sabe de qual estou falando. É a que começa antes de você ter chegado onde está. A que revela o momento de virada que você raramente menciona em reuniões de negócios. A que, se colocada em palavras, tornaria você reconhecível de um jeito que ao mesmo tempo atrai e expõe.

Essa é a única que importa escrever.

O que as histórias que você conta dizem sobre você

Depois de anos editando e mentorando escritores, aprendi a fazer uma distinção simples: existe a história que as pessoas querem contar e a história que elas precisam contar. A primeira é arrumada, sequencial, começa no início e termina numa conquista. A segunda é mais difícil de narrar — e infinitamente mais verdadeira.

Certa vez, uma coautora do projeto Mulheres Vibrantes chegou para a primeira sessão de mentoria com um roteiro pronto. Ela sabia exatamente o que queria dizer. A história era boa, organizada, inspiradora. Mas quando terminamos, ela mesma reconheceu: era a história que ela contaria para um desconhecido no elevador. Não para um leitor que precisava dela de verdade.

Levou três semanas para chegarmos à história que importava — e quando ela leu o capítulo em voz alta pela primeira vez, chorou. Não de tristeza. De reconhecimento.

Escrever não é registrar. É decidir.

Existe uma frase que uso com frequência nas mentorias: escrever não é apenas registrar o que aconteceu, é decidir qual história você vai viver. Isso muda tudo.

Quando você escreve sobre uma experiência difícil — uma falência, um relacionamento que destruiu seu negócio, um ano em que você teve que recomeçar do zero — você não está documentando o passado. Está escolhendo o que aquilo significa para o presente. Está transformando um evento bruto em narrativa com direção.

Esse é o ato mais estratégico que um empreendedor pode fazer. Não porque vá viralizar. Mas porque quem sabe o que viveu e consegue narrar com precisão tem uma clareza de propósito que nenhum curso de posicionamento consegue construir por fora.

O que acontece quando você finalmente escreve

O que observo nos projetos que organizo é que o processo de escrever o capítulo de um livro coletivo muda a pessoa antes de o livro existir. Antes mesmo de a primeira cópia ser impressa.

Porque você se vê. E quando se vê com clareza suficiente para colocar em palavras, passa a projetar uma versão de si mesmo mais inteira para o mundo.

Clientes te enxergam diferente. Não porque você ficou mais conhecido, mas porque você ficou mais nítido.

A história que você ainda não contou não é um projeto para o futuro. É uma dívida com a versão de você que já sabe quem é e ainda não teve coragem de dizer.

Escreva. Não só porque o mundo precisa da sua história.

Mas porque você também precisa.

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